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Acessibilidade9 min leitura8 de janeiro de 2026

European Accessibility Act: Prazos e Obrigações em Portugal

Tudo sobre o European Accessibility Act em Portugal. Prazos de conformidade (28 junho 2025), setores afetados, multas e como preparar a sua empresa.

O que é o European Accessibility Act

O European Accessibility Act (EAA), formalmente a Diretiva (UE) 2019/882, é a legislação europeia que estabelece requisitos de acessibilidade para produtos e serviços digitais. Transposta para o ordenamento jurídico português pelo Decreto-Lei n.º 82/2022, esta diretiva entrou em pleno vigor a 28 de junho de 2025.

Isto significa que, desde meados de 2025, empresas abrangidas que não cumpram os requisitos de acessibilidade estão em incumprimento legal e sujeitas a sanções. Se a sua empresa ainda não se adaptou, este guia explica o que precisa de saber e fazer em 2026.

Prazos: o que já está em vigor

Cronologia do EAA em Portugal

DataMarco

17 abril 2019Adoção da Diretiva (UE) 2019/882
28 junho 2022Prazo de transposição para legislação nacional
2022Portugal transpõe via Decreto-Lei n.º 82/2022
28 junho 2025Entrada em vigor plena — obrigações aplicáveis
28 junho 2030Fim do período de transição para contratos de serviço pré-existentes

O que isto significa na prática

Desde 28 de junho de 2025:

  • Novos produtos e serviços lançados no mercado devem cumprir integralmente os requisitos de acessibilidade
  • Serviços digitais existentes devem ter sido adaptados
  • Contratos de serviço celebrados antes de 28/06/2025 têm até 28/06/2030 para cumprir (período de transição)
  • Microempresas (menos de 10 trabalhadores e volume de negócios inferior a 2 milhões de euros) que prestam serviços estão isentas, mas recomenda-se a conformidade

Quem é afetado: setores e serviços abrangidos

O EAA tem um âmbito alargado que vai muito além dos websites governamentais. Os principais setores e serviços abrangidos incluem:

Serviços digitais

  • Websites e aplicações móveis de empresas que vendem produtos ou serviços ao consumidor
  • E-commerce: lojas online, incluindo o processo de checkout completo
  • Serviços bancários online: homebanking, apps de pagamento
  • Telecomunicações: websites e apps de operadoras
  • Transportes: compra de bilhetes online, informação de horários
  • Serviços audiovisuais: plataformas de streaming, media

Produtos

  • Computadores e sistemas operativos
  • Smartphones e tablets
  • Terminais de pagamento (TPA)
  • Caixas multibanco (ATMs)
  • Máquinas de venda automática
  • E-readers e equipamentos de leitura digital

Quem está isento

  • Microempresas que prestem serviços (menos de 10 trabalhadores E volume de negócios < 2M€)
  • Situações em que o cumprimento implique uma alteração fundamental do produto ou serviço
  • Situações de encargo desproporcionado (mas tem de ser documentado e justificado)

Atenção: A isenção de microempresa não se aplica a produtos, apenas a serviços. E a empresa deve poder demonstrar que se qualifica como microempresa.

Requisitos técnicos: o que tem de cumprir

O EAA remete para a norma europeia EN 301 549, que por sua vez incorpora as WCAG 2.1 nível AA como base para a acessibilidade web. Na prática, isto significa que o seu website e aplicações devem cumprir:

Os 4 princípios WCAG (POUR)

  • Percetível: A informação e os componentes da interface devem ser apresentados de formas que o utilizador consiga perceber
  • - Texto alternativo em imagens

    - Legendas em vídeos

    - Contraste de cores adequado (mínimo 4.5:1 para texto)

  • Operável: Os componentes de interface e navegação devem ser operáveis
  • - Navegação por teclado

    - Tempo suficiente para ler e usar conteúdo

    - Sem conteúdo que cause convulsões

  • Compreensível: A informação e a operação da interface devem ser compreensíveis
  • - Texto legível e compreensível

    - Páginas funcionam de forma previsível

    - Ajuda na prevenção e correção de erros

  • Robusto: O conteúdo deve ser robusto o suficiente para ser interpretado por tecnologias de apoio
  • - HTML válido e semântico

    - Compatibilidade com leitores de ecrã

    - ARIA landmarks corretos

    Para uma checklist detalhada, consulte o nosso guia sobre WCAG 2.1 AA.

    Multas e fiscalização em Portugal

    Entidade fiscalizadora

    Em Portugal, a fiscalização do EAA é repartida entre várias entidades, conforme o setor:

    • ANACOM: telecomunicações e serviços de comunicação
    • ASAE: produtos de consumo e comércio eletrónico
    • Banco de Portugal: serviços bancários
    • IMT: transportes
    • AMA: serviços públicos digitais

    Regime sancionatório

    O Decreto-Lei n.º 82/2022 prevê coimas para o incumprimento:

    GravidadePessoas singularesPessoas coletivas

    Contraordenação leve250€ — 1.500€1.000€ — 5.000€
    Contraordenação grave500€ — 3.740€2.500€ — 25.000€
    Contraordenação muito grave1.000€ — 5.000€5.000€ — 50.000€

    Além das coimas, as entidades fiscalizadoras podem ordenar a retirada do produto do mercado ou a suspensão do serviço até à conformidade.

    Risco reputacional

    Para além das multas, o incumprimento acarreta riscos reputacionais significativos. Consumidores e organizações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência podem apresentar queixas públicas, e a comunicação social cobre cada vez mais estes casos.

    Como preparar a sua empresa em 2026

    Se ainda não está em conformidade, estes são os passos prioritários:

    Passo 1: Auditoria de acessibilidade

    Avalie o estado atual do seu website e serviços digitais:

    • Utilize ferramentas automáticas (axe DevTools, Lighthouse, WAVE) para uma análise inicial
    • Realize testes manuais com navegação por teclado e leitor de ecrã
    • Considere uma auditoria profissional para um relatório completo

    O EAAPass realiza auditorias automatizadas completas conforme a EN 301 549 e WCAG 2.1 AA, com relatórios detalhados e recomendações prioritizadas.

    Passo 2: Plano de remediação

    Com base na auditoria, crie um plano de correção priorizado:

  • Crítico (corrigir imediatamente): barreiras que impedem totalmente o acesso
  • Alto (corrigir em 1 mês): problemas que dificultam significativamente o uso
  • Médio (corrigir em 3 meses): problemas de conformidade sem impacto crítico
  • Baixo (corrigir em 6 meses): melhorias de experiência
  • Passo 3: Implementação e testes

    • Corrija os problemas identificados, começando pelos mais críticos
    • Teste cada correção com ferramentas automáticas E manuais
    • Envolva utilizadores com deficiência nos testes, se possível

    Passo 4: Declaração de acessibilidade

    Publique uma Declaração de Acessibilidade no seu website, conforme exigido pela legislação. Esta declaração deve incluir:

    • Nível de conformidade alcançado
    • Limitações conhecidas
    • Contacto para feedback sobre acessibilidade
    • Data da última revisão

    Passo 5: Monitorização contínua

    A acessibilidade não é um projeto pontual — é um processo contínuo. Cada atualização de conteúdo ou funcionalidade deve ser verificada.

    O custo de não agir

    Além das multas, considere o custo de oportunidade: em Portugal, mais de 1 milhão de pessoas têm alguma forma de deficiência. A nível europeu, são 87 milhões. Excluir estes potenciais clientes é, além de ilegal, uma má decisão de negócio.

    Estudos demonstram que websites acessíveis têm melhor SEO, menor taxa de abandono e maior conversão — beneficiando todos os utilizadores.

    Saiba mais sobre o impacto no e-commerce no nosso artigo sobre acessibilidade web em e-commerce.


    Não arrisque multas nem perca clientes. Faça uma auditoria de acessibilidade com o EAAPass e garanta a conformidade com o European Accessibility Act.
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    Equipa Zavo
    Software para empresas portuguesas, Alcanede, Portugal

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